

theme por queridasolidão; base por maxdavis e com alguns detalhes inspirados em es♥jk. não copie, pfv.
(Source: afetuosa)
O mundo poderia ter acabado hoje. Eu estava tomando o meu café, e quem repararia? Deu indícios de acinzentar uma hora ou outra, mas voltou a ficar com cores. O mundo poderia ter acabado hoje.
A vizinha colocava para fora sacolas de lixo como se tivesse recepcionado uma grande festa nos últimos dias, mas isso não aconteceu. Ou será que eu dormi demais e não me dei conta do barulho? Depois foi o gato protagonizando sua quase morte ao fugir por centímetros do carro que passava. Por pouco não virou pó.
O casal de apaixonados passou com a expressão séria. Ela repetia frases desconexas, enquanto ele apenas mexia a cabeça. Pararam na esquina. Momentos dramáticos. Ele não estava se importando, sei que não estava. Aos quarenta e cinco do segundo tempo, ele segurou a mão dela e não falou nada. Ela deixou cair lágrimas e se jogou no peito dele para chorar. Ah, eles só precisavam brigar para voltar a amar!
Passou o ônibus lotado, a chuva esperada, os amigos distraídos, a senhora com as sacolas de compras e eu fiquei, café na mão e cabeça no céu. Uns quase morriam, outros quase nasciam e eu só pensava nos “quases”, nunca nos “completos”.
O mundo poderia ter acabado hoje. O mundo quase acabou. Mas quem reparou?
(Camila Costa.)
(Source: camilacosta)
Um certo dia, acordei sozinho. Sentei na minha cama, procurando por ela. Não encontrando-a no quarto, fui no banheiro, cozinha, sala e, até mesmo, passei pelo porão. Quando desisti de procurá-la, encontrei um bilhete na geladeira, que dizia “Fui comprar cigarros, querido! Não me espere para o café. Beijos, te amo.”. Suspeitei daquilo, não do bilhete, mas algo me chamou atenção: ela não fumava. “Garota estranha.”, pensei. Suas manias eram estranhas. “Começar a fumar deve ter sido uma de suas tantas ideias repentinas.”. Hoje faz seis meses que ela foi comprar cigarros e nunca mais voltou. Tentei ligar para o seu celular algumas vezes, mas não tive respostas. Só acho engraçado o fato de ser assim só com o meu número: ligando de algum telefone desconhecido, consigo ouvir o seu “Alô?”. Não respondo nada, apenas desligo. Se sinto falta dela? Não, acho que não. Cigarros mudam a vida de uma pessoa. A nostalgia que eu sinto, ao sentir o cheiro da fumaça de um cigarro, me faz pensar nela. Eu comecei a fumar.
(Source: happinessfactory)
Não nos encontramos num café estilo francês, enquanto tomávamos um cappuccino e líamos Caio Fernando de Abreu. Não nos esbarramos num corredor de um colégio de ensino médio, muito menos estudávamos juntos. Não tivemos uma paixão proibida, não tinha ninguém que não queria que ficássemos juntos. Não vou dizer que foi fácil, até porque não foi. Nossa timidez nos tirou alguns meses de nossas vidas juntos. Aquela tensão que ficava quando nós nos víamos atrapalhou, de verdade. Me lembro como se fosse hoje, eu sentava do teu lado e tu permanecias paralisado pelo tempo que eu ficasse ali, só esperando um abraço. O teu abraço. Certo dia tu se entregou à mim e eu me entreguei a ti. Simples assim, sem rodeios. Tão sem graça, né? Queria um amor de livros. Daqueles que demora muito, mas muito mesmo, para que o casal principal fique junto. Daqueles que fazem pessoas se emocionarem com a história, sabe? Mas não tive. Meu primeiro amor foi tão sem graça… “Foi” não, “é”. Meu primeiro amor é sem graça. Não tem nada de ficção entre a gente, só tem o amor. Não viraríamos roteiro de filme, muito menos inspiração para livro. Só somos nós. Nosso amor. Meu amor. Teu amor. Eu, você e nós. Somente isso. Sem histórias, só com as nossas memórias. “Ninguém precisa saber.”
(Source: happinessfactory)
Sabe, a vida é engraçada. Muitas vezes nos vemos sendo aquilo que mais odiávamos, ou até mesmo sendo uma outra pessoa. E o motivo, quase sempre, é algo bobo. Às vezes mudamos por uma paixão, por uma amizade ou apenas por curiosidade. Olhei para trás e vi uma criança, com medo e encolhida num canto. Ignorei. Mal sabia que aquela criança é o meu passado, com vergonha do futuro. “Não era assim que eu imaginava, eu não quero crescer!”, ela falava. Tentei ir para seu lado, queria acalmá-la. Ela correu para longe. “Não chegue perto de mim! Eu não gosto de você!”. Tive vontade de chorar, meu passado não gostara de mim. Mas espera aí, eu não gosto de crianças. Crianças são burras, não sabem o que falam. Tive vontade de ignorá-la. Não pude. Tenho esse defeito: não consigo ignorar. “Eu vou mudar, prometo.”, falei. Não, eu não queria mudar. Gosto de mim assim, diferente. Crianças não sabem como o futuro é. Crianças imaginam coisas, acham que a vida é fácil. Eu tinha medo de crescer, achava que ia ser criança para sempre. Me enganei. Aquela menininha que, até então chorava, me olhou. Esfregou os olhos e veio até a minha direção, me abraçando.
“Você já tem o seu cavalo? Eu quero um cavalo. Eu prometi que ia ter um cavalo, quando crescesse. Me diga, você já tem o cavalo?”
Eu gelei. Meu sonho era ter um cavalo. Eu não corri atrás dos meus sonhos. “Como eu vou ter um cavalo, morando num apartamento minúsculo e mal tendo tempo para cuidar de mim mesma?”, pensei. Não podia revelar isso ao meu passado, imagina só se a minha versão pequena resolvesse se suicidar? “Claro, querida. Eu tenho um cavalo.”, respondi. Meu passado sorriu e foi desaparecendo, aos poucos. Observei aquela menininha de cabelos lisos e castanhos sumindo, virando uma espécie de fumaça.
Acordei.
Sentei na cama, esfregando meus olhos. “Foi só um sonho, um sonho estranho, mas só um sonho.”. Levantei e segui até o banheiro. Olhei meu reflexo no espelho e não consegui fitar-me por mais do que alguns poucos segundos - eu, até então, odiava pessoas não honestas comigo. Parei e pensei. “Eu não sou honesta comigo. Eu me odeio. Eu minto. Eu sou a pior pessoa possível.”
Comprei um cavalo.
(Source: happinessfactory)
Duas colheradas pequenas de açúcar. Algumas empurradas com a colher tendo uma leve curvatura, em sentido horário deixando a mão despencar como quem controla um relógio. Que atrasar-se-a logo logo, após o ultimo gole.
Coisa de quem vê o tempo passar, e molengar. Instinto dos que ficam acordados desde o entardecer, até o sol raiar. Vida de quem pouco dorme, e não perde parte da postura.
Leves olheiras e visão um pouco turva, com óculos para ajudar.
Duas colheradas pequenas de açúcar e empurradas com a colher, mexendo o líquido que ferve com cheiro de café, em escuridão pútrida de entorpecer.
Coisa de quem costumava ter pela manhã essa simplória refeição, e banalmente viu-se perdido em algo clichê…
Assim como esses costumes, volta e meia me detenho em algo fitado, fixado, fissurado em presente predeterminado pela fama do passado, como se fosse algo impulsionado à fazer-se apenas pelo sucesso alheio, de ver acontecer.
Como uma foto do horizonte, que se parece com a maioria das praias nas quais visitamos. E o céu, que por mais nublado e estranho, fica no mesmo lugar visto do Pacífico tanto quanto do Atlântico.
O que diferencia ambos, em âmbitos de sentimentalismo provido do âmago são os olhos de quem os vê. A forma na qual retêm tal informação, com fome de resguarda-la ou encorpora-la para então ser…
Ser a fotocópia de alguém que lhe antecedeu, com uma vivência, certas experiências e personalidade, que por um motivo bem irônico veio a lhe apetecer. O que não quer dizer que com ela, já não viera também a acontecer.
Com isso penso sobre o que escrevo. Passo alguns minutos pensando, e consumindo meu tempo, torrando neurônios para coisas que por vários cantos, tantas mãos e tantos corpos insanos já puseram-se ao dispor do transparecer.
Então encontra-se a questão de que seja, o que quer que escrevas, vem de dentro de você.
Por exaustão, combustão, aflição ou apenas falta do que fazer. Falta do que sentir, de onde e de com quem estar. Tenho escrito, por uns dias inglórios e sofridos, mesmo que sejam de quem sofre por preservar o que consegue lhe magoar. Apenas pra não perder o hábito de sentir doer.
O que creio eu, que em pouco tempo será extremamente clichê. Essa situação de ser masoquista, e na dor sentir prazer.
Como na certa, passaria horas escrevendo o que se define como algo repetitivo pra mim, vou tentar se breve. Como sinto, que já me repito só em tentar responder tal pergunta.
Repito-me sentando nessa cadeira, e digitando mais um texto que chamo de vômito, quando não passam de palavras mais do que massacradas por tantos dicionários, em reedições em impressoras programadas, para trabalhar o dia inteiro… Me repito por estar no mês de janeiro, e clichê mesmo é dizer que não suporto a ideia de estar me aproximando de fevereiro, para em breve me ver me pleno carnaval.
É clichê citar o que lhe faz mal. Reclamar da vida, como quem nunca teve motivos pra sorrir. É clichê escrever versos de amor pelas paredes, e largar o espelho sujo de batom, para quando seu amor acordar, você vê-lo sorrir, com algo verdadeiro, manchado em um tom avermelhado por aquele aço refletor chamado de espelho, que por dias atrás te viu sem ninguém por ali. Clichê mesmo, é viver a ilusão de se iludir.
É clichê falar de solidão, e queixar-se sobre a falta de pessoas suficientemente capacitadas para lhe satisfazer.
Ou ainda mais irônico, é clichê reclamar que o amor da sua vida está longe de você.
Falar dos dias chuvosos, como se lhe renovassem a alma. É clichê ir à praia e enojar a água salgada.
Clichê chorar com Shakespeare, e morrer de rir com Romeu e Julieta, como se obras distintas não fizessem parte da mesma faceta romanesca.
Sonhar com Clarice Lispector, e ironizar os padrões de religião. Banalizar o seguimento cristão, e pensar que Gihad é apenas uma comemoração com fogos explosivos, feitas regularmente com intuito negro de matar pessoas em troca de virgens num céu imaginário, aos olhos dos agnósticos… Coisa que para os ateus, tanto faz tanto fez.
É clichê matar-se aos poucos, quando algo mais fervoroso poderia lhe consumir de uma só vez. É clichê julgar um feito como feio, só porque alguém já fez, e não olhar para ele com olhos de quem possui um coração.
Algo absurdamente clichê, é julgar os relatos de um coração como se em palavras frias, não houvesse um sentimento a se enxergar.
Mais clichê ainda, é fazer o que eu faço. Expressar pensamentos, com a visão de ver um pouco de tudo melhorar.
(Distanciada)